28.6.09

O que mais faltam entrevistar? O lavador de cuecas oficial do Michael? CHEGA. PAREM. MORRAM.
Odeio o Fantástico.

À Espera de Um Milagre.

Preciso desabafar. De novo, agora sobre coisas um tanto mais complicadas de serem resolvidas. Meu ídolo não está mais aqui e não há absolutamente nada que eu possa fazer para revivê-lo. E se tivesse, eu com certeza faria. Sempre quis uma máquina do tempo, e não me importaria de acabar destruindo todo o futuro alterando o passado, porque eu sou egoísta e deixaria todas as pessoas legais que já morreram vivas. Mas, enquanto a máquina do tempo existe apenas na lista das coisas impossíveis de conseguir, eu tenho que me centrar no presente.

Vamos lá. Eu tenho um trabalho estupidamente chato pra fazer. Um trabalhinho acadêmico que já me rendeu um pesadelo e muitas “borboletinhas no estômago” de medo.

O Word tá aberto, com apenas dois parágrafos feitos. Tem um caneca de café quente e bem forte aqui do lado, juntamente com todas as fotocópias dos livros a serem resumidos. E são três. E eu já disse que só tem dois parágrafos feitos?

Tenho mais ou menos uma semana pra terminar, segundo minhas colegas. Mas desconfio de que o prazo real é de dois dias. E eu já disse que só tem dois parágrafos feitos?

Eu pretendia começar na quinta-feira só que, bem, alguém morreu e meu equilíbrio emocional foi diretamente ao limbo.

Nem que eu tenha de mastigar grãos de café, hoje eu só durmo com pelo menos um resumo feito. E que venham as olheiras, eu estou preparada! Na verdade eu só queria que uma milagre acontecesse, mas… eu sou atéia, hunf.

Sensacionalismo e falta de respeito andam de mãos dadas.

— Já começou as Crônicas de Naja na Globo, Marília, não vai assistir?
— Crônicas de quem?

Só coisa assim pra me fazer rir. Porque o eu que sinto agora, depois de ter chorado quase o suficiente pra encher um rio e de ter me prometido que eu não vou mais derramar uma lagriminha que seja, é raiva. Muita, muita, muita raiva. Muita, muita raiva dessa gente nojenta que precisa utilizar a dor alheia pra conseguir ipobe. Eu já tinha desde a época da Isabella Nardoni, da Eloá e de todas essas tragédias que viraram pauta incessante do sensacionalismo barato tupiniquim.

Tv desligada aqui. E, quando não, controle remoto na mão pra desligar ou apertar o mute sempre que as reportagens sobre o Michael começarem.

Todo mundo já sabe que ele morreu.
Todo mundo já sabe que não existirá outro igual a ele.
Todo mundo já sabe das cirurgias plásticas.
Todo mundo já sabe que ele começou desde pequeno.
Todo mundo JÁ SABE dessas coisas.

Só outra tragédia pra tirar essa pauta do ar.
Mas algo maior que a morte dele eu duvido que aconteça.

Tem outra coisa que me irrita e parece que só a mim. E esses fãs que dançam e sorriem em homenagem ao Michael? Como assim, ele morre e você sorri? Onde está o motivo pra sorrir e dançar? Você sorri e dança ao redor do túmulo de um parente seu? Você dá gargalhadas em frente à câmera quando alguém que você ama bate as botas? Você rala até o chão quando um ente querido está na UTI, quase morrendo? Ah, vão se foder.

luto
s. m.
Sentimento, pesar (pela morte de alguém);
Dor.

homenagem
s. f.
Protesto de veneração e respeito; preito.

26.6.09

Michael Jackson por todos os lados.

Eu cresci cercada de Michael Jackson por todos os lados. Quando mais jovem, minha mãe era fã, daquelas que recortam cada reportagem de revista e jornal com qualquer coisa a respeito de seu ídolo. Ela tem todos os vinis, os cds, vários posteres, revistas. E eu cresci em meio a esse amor que ela sentia por ele, e ele passou pra mim. Eu herdei todo esse carinho pela pessoa Michael Jackson. Eu estive no Pelourinho, com seis anos, quando ele veio aqui em Salvador. Eu tava lá espremida entre os fãs, gritando, com meu binóculo da Mônica. Eu tava lá com esperança de que eu visse meu ídolo de perto. Eu só tinha seis anos e o carinho já era bem maior do que eu. Sei a maioria das músicas dele de cor, a voz dele embalou quase toda a minha infância. E ele se foi. E dói. Entendo que muita gente deve achar idiota que uma pessoa chore por alguém que nunca soube o seu nome, ou te viu pessoalmente, ou era seu amigo ou parente. Mas tem que saber que não precisa conhecer uma pessoa de perto pra gostar dela. Não precisei que ele fosse meu amigo, que brincasse comigo ou que estivesse comigo pessoalmente durante a minha adolescência — e as lágrimas e problemas existenciais que vieram com ela, porque a voz dele tava aqui, em cada vinil e cd. E agora ele se foi pra sempre. E tem gente que ri disso, que acha graça na morte de alguém. Não acho graça. Desde ontem eu não consigo parar de chorar. Meus olhos estão inchados e eu me sinto órfã. Mas o carinho vai continuar em mim durante todo o resto da minha vida, disso eu sei. Só não sei bem quando vou conseguir olhar pra tudo do Michael que tem aqui em casa e não chorar.

Ontem, entre uma crise e outra de choro, eu disse a minha mãe que estava mais triste porque ele viveu uma vida não muito feliz do que pela morte mesmo, todo mundo morre um dia. Michael não teve infância, ele não teve um amor de verdade correspondido. E ela me disse “ele foi embora tendo tudo e não tendo nada ao mesmo tempo”. E é verdade.

E para todos aqueles que riram ou continuam rindo: podem ter certeza que se vocês morressem hoje, o mundo todo não sentira a falta de vocês como o mundo está sentindo a dele desde ontem.

25.6.09

Não pode ser verdade, eu não acredito. Eu tô sem chão, mesmo. E eu odeio todas as pessoas que estão achando graça disso tudo. Morram vocês, seu vermes nojentos. Vocês é que não farão falta.

Los Angeles Times, eu espero que seja só mentira.

23.6.09

Berenice, segura!

Conexão amiga é assim: quanto mais você precisa dela, mais ela oscila. E dependendo da gravidade da situação (como nível de urgência e necessidade), aí ela cai e não volta tão cedo.

Eu tenho uma net amiga.

Eu tenho um computador amigo, uma câmera fotográfica amiga e um carregador de baterias (aliás, dois) super amigo. Do tipo que me abandona nas melhores & piores situações.

A vida é boa e eu sou feliz, rica e bonita.

O mundo é maravilhoso, assim como todos os humanos.

E, vou te contar, gente é um bicho muito, muito estranho.

Outro dia eu estava conversando via MSN com uma pessoa tão desequilibrada quanto eu (sabendo que a pessoa nunca lerá isso aqui, me sinto à vontade pra dizer que, SIM, você é louco e ainda tem a cara-de pau pra afirma que EU é que sou esquisita) que me contou sobre uma entrevista que deu a alguns alguéns aí. Esses perguntaram sobre o ponto em comum entre os seres humanos. Maioria falou morte; ele enveredou pelo fator biológico e células alguma-coisa aí que eu não vou lembrar bem o quê. Eu disse egoísmo. Eu acho todo mundo egoísta e pronto e acabou. Sempre achei. Minha mãe sempre reclama, diz que sou muito pessimista e sem esperança na humanidade.

Tenho esperança mesmo não, vejo um futuro muito (mais) cinza pro “serumano”, e tô rezando desde já pra que tudo fique pior mais pra frente, tipo uns sessenta anos avante porque então eu serei apenas ossinhos, ou nem isso mais, a six feet under.

Pior coisa que tem é trabalhar com muitas pessoas, dependendo de favores principalmente. Quando o bom andamento das coisas depende da colaboração de outros, então tudo se complica. E eu sei bem disso, desde não muitos anos atrás quando estava na escola. Reunião pra trabalho? Alguém sempre tem um impedimento, como a amiga da mãe da vizinha da empregada que está hospitalada. Recursos financeiro? Bem pior. Conseguir a colaboração de R$0,10 pra uma xerox envolve todo um esquema de choro, persuasão e ameaça. Mas a escola se foi há uns 4 anos. Só que aí vem a faculdade e o emprego. E tudo multiplica-se por dez em grau de dificuldade para convivência e dependência com os demais.

Não sei se é só comigo, mas não sei lidar com pessoas. Sei não, mesmo.

Também não lembro exatamente o por que do que escrevo, só de ter aberto o bloco de notas quando a net caiu e começar a digitar. Nada mais me lembro. Berenice, segura, nós vamos bater!

*

Que livro nacional você é?
Eu sou “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. :) [daqui].

21.6.09

Sou a pessoa mais brega que existe. E posso provar:

Oh, o amor...!
Doce cegueira temporária!
Dos sorrisos às lágrimas;
Da alegria à dor.
(5/06/07)

2007 foi um ano bizarro. Só escrevia coisas assim. Tenho um blog cheio dessas coisas melodramáticas, acho que só não o deletei pra, quando lembrar que ele existe, rir de mim mesma. Mas é pra rir sozinha: por precaução e vergonha na cara, ele tem senha.

Que puxa!

Não tem jeito. Nunca vou deixar de ser meio Charlie Brown (do desenho). Resolvi fazer o teste do MBTI de novo, na esperança de que algo mudasse. Mas não mudou. Sou INFP, com força. Que saco.

Eu, pornograficamente desnuda, aqui.

20.6.09

Eu deveria me envergonhar das coisas que coloco aqui.

MadCoeur design.

Sou profissional na arte de fazer coisas toscas.

A missão era simples: fazer a capa de uma banda — que não existe — de forró, já que o mês pede o espírito junino. Algo com bastante senso de estética, algo artístico, profundo, filosófico & inspirador. Algo que fizesse as pessoas atingirem o nirvana e desejar, com todo o coração, que tal banda existisse realmente, a fim de deliciar-se ao som de sua música divinal. Para ver a belíssima capa, clique.

Sorte ou alguma coisa do gênero.

Minha mãe e eu costumamos almoçar num restaurante próximo de onde estudo. Quando terminamos, descemos uma escada onde eu pego ônibus e vou pra casa, enquanto ela volta ao trabalho.

Há 3 dias minha mãe me chamou pra almoçar no tal restaurante. Eu recusei umas três vezes, enquanto ela insistia. Quando cheguei em casa, vi no noticiário que houve tiroteio por lá, que dois ladrões morreram porque resolveram assaltar justamente um policial que estava sem farda no momento, e foi exatamente onde eu deveria estar se tivesse dito sim pra minha mãe.

Parece que a Sorte despertou depois de dezenove anos de sono intenso, mas justamente na hora certa.

(E agora estou ouvindo “Fake Platic Trees”, do Radiohead, e isso deixa o clima bem mais dramático.)


Mas eu não acho que tal evento tenha uma causa divina, assim superior mesmo, porque até onde lembro eu sou atéia (atéia sem acento perde um tanto a força rebelde que a causa tem) ou agnóstica ou, melhor, em cima do muro. Só que ontem, cara, [*nona sinfonia e Beethoven*] ontem eu peguei um ônibus que tinha acabado de ter um passageiro assaltado!

(Por que as pessoas dizem que “o ônibus foi assaltado”? Não é o ônibus que tem suas economias surrupiadas, são os passageiros.)

Assim, ladrões entram como quem não quer nada, cara de paisagem, sentam ao lado de um rapaz idiota que pega mil reais no banco e, burramente, pega um ônibus e não um táxi, e acha que algum anjinho estará olhando por ele, de forma que não será roubado. Mas ele foi. Só que, enquanto eu entrava no maravilhoso coletivo, os dois ladrões saíram.

Ou seja, se eu pegasse no ponto anterior, coisa que faria não fosse por pura vontade de andar mais*, ou se esparasse outro ônibus, talvez tivessem roubado os meus r$5, um cartão de meia passagem, papéis & uma caneta. Porque a mim eles não levariam, levando em conta que sou uma pobre moça desprovida de qualquer grau de beleza.

Creio que desenvolvi um repelente, algo que afasta a marginalidade de mim.


* a verdade verdadeira é que queira voltar à faculdade para ver se a briga entre as pessoas da minha turma havia terminado mesmo, a fim de não perder nada. Porque ontem teve fight pesada, infelizmente só verbal, e eu estava no meio. Mas calada, só observando a natureza humana, filosofando mentalmente sobre como gente é um bicho estranho.

17.6.09

Follow me.

A única coisa boa do Twitter, para desocupadas e de facilidade para paixões platônicas como eu, é poder stalkear até aquele ator bonitinho e ver que ele é tão gente quanto eu, talvez mais bonito, mais rico, mais talentoso, mas com defeitos bobos, gírias, vícios e muitos palavrões na bagagem.

Mas Twitter é algo que eu não teria. Sou old school blogando desde 2002. Os 140 caracteres não são o bastante pra mim.

14.6.09

Os sebos e suas raridades.

Pra testar meu novo scanner, peguei o primeiro objeto composto por páginas que vi: uma revista de 1952 que achei num sebo. Chama-se “Coletânia do Magazine Digest”, impressa em um junho bem longíncuo de 57 anos, e que me foi dada de “brinde” porque comprei um outro livro (Lolita, do Nabokov) a vista.

O legal dessa revista é que mostra bem a mentalidade da época. Uma matéria fala sobre o teste de gravidez, na época uma novidade, e antes precedido por testes bizarros e cruéis, como injetar hormônios da suposta grávida no útero de um animalzinho. E esse, se ficasse com o útero cheio de pequenas feridas, levava ao resultado de gravidez certa. Horrível.

Um dos artigos que mais me chamou atenção foi esse, que divido com vocês o início:




E hoje, o que deve saber uma boa moça?
Dançar créu até o chão, claro.

P.s.: mas a mentalidade machista prevalece, mesmo nas mulheres, e principalmente nelas.

Let’s get out of this country.

Depois de idas e vindas em excesso, e põe excesso nisso, meu computador e toda a sua parafernália problemática está de volta. De forma que eu, minha existência virtual, minha chatice e todo o resto que me constitui enquanto bits e células volta à ativa com todo o gás. Ou quase isso.

Eu nem sabia que tinha o tino para a pieguice. No dia dos namorados uma pessoa me pediu auxílio para escrever um bilhetinho romântico para o namorado. Na verdade ela só pediu para que eu lesse o que já havia escrito e dissesse que estava legal. E eu não disse. Disfarçadamente peguei o papel, virei a folha e comecei a escrever um bilhete super apaixonado para um ser que eu nunca vi. Nenhum bilhetinho de dia dos namorados conseguiria me super em grau de pieguice, nenhum! E ficou tão bonitinho, aposto que ele, seja essa pessoa quem for, deve ter gostado. (Ando bem convencida, seria um indício de autoestima saindo no nível negativo? Cenas para os próximos capítulos.) Ela gostou, disse que tava perfeito, ainda ensaiou o que diria: “Passei um dia inteiro tentando escrever algo bonito pra você. Pensei no que já passamos, no quanto te amo... e escrevi isso”, aí a gente riu porque fiz em menos de 5 minutos. Ainda tinha algo como “quando eu estiver bem velinha, e com certeza ao seu lado, espero que ainda comemoremos os dias do namorados, e que ele seja tão especial como hoje será... porque tenho certeza de que te amarei com a mesma intensidade”, ou alguma coisa parecida. Será que esse campo de escrever coisas prontas pra Orkut é uma boa área de atuação? Ainda posso fazer cartões virtuais bem brilhantes e pôr textos atrás. Que trabalho formal que nada, o negócio bom mesmo é texto pronto. Vou investir.

~

Façam seus ouvidos felizes: Mundo Acumulado, Fábio Goes e Sem Cais, Caetano Veloso (mp3).

7.6.09

Lady Murphy é uma velha sádica.

Devo mesmo ter um péssimo karma, uma extrema falta de sorte e estar na mira da querida — e sádica — Lady Murphy. Quando o assunto é eletrônicos, mais especificamente meu computador, acontece de um tudo, daquelas coisas mais improváveis até as realmente impossíveis.

Incompreensível mesmo essa minha má sorte com relação a computadores. Desde 2000, quando ganhei meu primeiro computador, ainda sem internet, já dava tudo meio errado. Mais eu estava feliz, tinha 10-11 anos e já tinha meu próprio. Era tanta felicidade nérdica que eu mal cabia em mim. Se eu soubesse o quanto esses nove anos em frente a um monitor me esperariam… certo, ainda sim eu não viveria sem.

Foram muitas lágrimas, palavrões, chutes no gabinete, palavrões, desespero, etc. Todo dia um novo problema, um chamar de técnico sem limites.

Três ou quatro anos atrás, acho, houve um problema estranho. Não iniciava nem com reza forte, nem com banho de folhas, nem chamando um bispo a fim de benzer o maquinário. Técnico vem, técnico vai, diversas opiniões. “É a fonte, deve ter pifado” Não foi ela, mas um dia ela fez a sua parte — explodiu na mão do técnico, sem exagero. Era o mouse. Sim, o mouse. O cabo do mouse fazia com que não iniciasse. Como é possível que um ser tão pequeno fizesse um estrago tão grande? Foi pro lixo, veio um novo, tudo se resolveu.

Quase.

Nesses nove longos anos meu pc já quebrou incontáveis vezes. Mais eu amo essa coisa preta e cinza, que posso fazer? Ele acabou de chegar e já deu sinais de novos problemas.

*

Anteontem teve show do Caetano Veloso. Eu fui. Foi lindo, o Caetano é o senhor de 66 anos mais bonito que já vi a um metro de distância. Queria tanto que ele cantasse antigos sucessos, como “Pra Te Lembrar” ou “Trem das Cores”… e ele cantou, a segunda música da setlist foi “Trem das Cores” e eu, boba, quase chorei. Do álbum novo, Zii e Zie (que pode ser ouvido aqui), me encantei por “Sem Cais”, música linda que me faz lembrar de…

*

Logo volto à ativa com a minha ociosidade regada à postagens inúteis quase diárias. Não que isso faça falta para alguém além de mim. Mas é bom escrever, é terapeutico. No entanto, sem teclado, com computador ruim — que vai ao técnico essa semana pela, sei lá, 70ª vez — , não dá pra sequer nerdear à vontade por aí.