Ontem, depois de enfrentar uma fila imensa de pessoas também interessadas em ver o navio do Greenpeace, entrei, tirei umas fotos e também umas conclusões a respeito da organização. Era o último dia da embarcação no porto de Salvador, último dia para a visitação e como costumo deixar para fazer tudo "em cima da hora"...

Entramos, um rapaz nos recepcionou, falou algumas coisas que não prestei atenção porque tirava fotos de um submarino que estava bem ao lado. (Imaginei que se fosse amarelo e estivesse com com o nome "Beatles" seria tão mais interessante.) As pessoas se dispersaram e, assim que ficamos à sós, minha prima e eu resolvemos perguntar algumas coisas sobre a tripulação do navio para o afiliado.
Perguntamos se a maioria da tripulação era adepta ao vegetarianismo, eu imaginei que não era, mas não esperava um argumento tão... tão... infantil.
— Não, na verdade só alguns, bem poucos. Eu mesmo já fui por algum tempo, mas não agüentei. Sabe como é, estou numa embarcação, longe de casa, sem a minha mãe para fazer minha comida... - respondeu.
Que meigo! Ele prosseguiu, talvez procurando um outro argumento, um que não fosse, assim, tão retardado.
— E também estive doente, essas coisas, aí precisei... bem, voltar a comer... sabe, carne. - concluíu.
Saímos de lá e fomos olhar o resto do navio, um quebra-gelo quase quarentão, feito em 1975 e comprado em 95 pelo Greenpeace. O navio
parecia ser bem desconfortável na parte inferior, onde há abrigo até para helicóptero. Fica abaixo do heliporto, com duas portas imensas bem acima, cobertas por isolante térmico, que se abrem para o helicóptero descer. Fiquei pensando se aquilo não poderia cair na minha cabeça. Nesta parte, uma moça nos mostrou um vídeo do dia anterior, quando escalaram o Elevador Lacerda e estenderam uma bandeira sobre salvar o planeta ou algo que o valha.
Fomos até a cabine do comandante, num calor absurdo, um outro rapaz falou sobre o funcionamento, gps,
mapas, painéis. Talvez mais algumas coisas, mas como a sala estava superlotada e calorenta, meu cérebro não conseguiu processar mais informações.

Ao sair, uma pessoa nos parou e perguntou se queríamos ser "
GreenFriend", pagar uns R$20 pra receber uma revista. Disse que não, obrigada, já fazemos a nossa parte: não comemos carne, não jogamos lixo no chão, essas coisas. Então, minha prima, que antes estava tão contente na fila porque veria o navio e as pessoas do Greenpeace, achando que eram todos lindos, maravilhosos, que não comiam aquilo que tanto defendiam... disse alguns breves desaforos para o moço, o que o fez sair meio verde (pegou? pegou?) de raiva.
E olha que nem "ecochatas" somos... Eu, pelo menos, não.
P.s.: Visitante desavisada com bolsa de COURO no navio. Ai, ai. Acho graça.