Eu deveria ter tirado foto da cena da novela. "Padre, eu sou um vulcão brasileiro em erupção", diz Stela, com uma leve cara de safada. Vulcão. Brasileiro. Em erupção. E não é que ela fez o padre largar a batina e cair nos prazeres mundanos? Se toda frase de efeito tosca fizesse, assim, tanto sucesso...
Quero tantas coisas, tantas, encheria um caderno com uma lista imensa das coisas mais impossíveis que eu gostaria de ter e ser. Nem são tão impossíveis para os outros, mas para mim, que não acredito em milagres, são.
Meus dias poderiam ser sempre como finais de novelas: casamentos, sorrisos, muito dinheiro no bolso, todos felizes para sempre (menos o vilão que vai preso, ou morre, arde no mármore do inferno, vai para um manicômio, etc.), amém.
Todo mundo tem uma Yvone na vida, só não sabe que elas estão lá, do seu ladinho, com os piores pensamentos e os sorrisos mais falsos. Talvez porque todo mundo seja meio Yvone, só não admitem ser. Talvez porque todo mundo seja ruim; uns muito, outros são exageradamente, alguns nem tanto... Minha mãe não entende esse meu pensamento "pessoas de VERDADE são ruins". Mas elas são! São, sim. Cada qual com seu grau de maldade embutida no coraçãozinho. Uns roubando o dinheiro do podre; outros, furando a fila do banco. É inerente. Vem, ali, guardadinho no dna do feto. Resta a ele desenvolver muito, pouco, ou fingir que não tem. Acho que a última opção ainda é a menos acertada a ser escolhida...
Beber a vida
58 minutos atrás

